O caju chama atenção não só pelo sabor e pelas cores vibrantes, mas também pela sua famosa castanha.
Tudo começa no cajueiro, uma árvore de tronco retorcido e copa larga, que se adapta bem ao clima quente e ao solo arenoso, especialmente nas regiões litorâneas do Nordeste. Quando chega o período de floração, o cajueiro se enche de pequenas flores brancas e rosadas. Dessas flores surgem os cajus, que aos poucos vão tomando forma e ganhando cor.
A parte macia e suculenta, que chamamos de caju, na verdade não é o fruto verdadeiro, e sim o pedúnculo, o talo da flor que cresce, incha e se torna comestível. É por isso que ele recebe o nome de pseudofruto. Já o fruto de verdade é a castanha, aquela estrutura dura que fica na ponta inferior do caju.
Dentro da casca da castanha está a amêndoa, rica em proteínas e gorduras boas. Mas antes de ser consumida, a castanha precisa passar por um processo de torrefação para eliminar um óleo natural altamente corrosivo presente em sua casca. É um trabalho delicado, que exige cuidado e experiência, especialmente quando feito de forma artesanal.
Em um só caju, temos duas riquezas diferentes: a polpa, doce e refrescante, usada em sucos, doces e licores, e a castanha, que se tornou um dos produtos mais valiosos do Brasil.
Observar um caju no pé é perceber um pequeno milagre da natureza. De uma flor simples nasce um símbolo do Nordeste e da força de quem cultiva e transforma cada parte dele em alimento, sabor e tradição.